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Notícia: "Vamos rever apoios a situações de calamidade"
Colocado por: Lusowine em Segunda, Maio 28, 2007 - 11:08 AM GMT
Vinhos Entrevista com Jaime Silva, Ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas


Já tem um cálculo dos prejuízos agrícolas resultantes das chuvas e granizos intensos que se fizeram sentir nos últimos dias em algumas das regiões do País?

Os primeiros cálculos apontam para que a região mais afectada seja a do Oeste, com cerca de mil hectares de área agrícola danificada, mas nem toda da mesma forma. Em algumas explorações as chuvas danificaram 50% ou mais da área agrícola e noutras não ultrapassou os 20% ou 30%. Em todo o País, a área prejudicada não chega a dois mil hectares, fica-se pelos cerca de 1500. São mil no Oeste, 150 na zona de Trás-os Montes e mais cerca de 300 na Vidigueira, Alentejo. A grande maioria é vinha e apenas em Trás-os-Montes há algumas explorações de castanha afectadas.

Admite accionar o Fundo de Calamidade?

Admito accionar algumas medidas de emergência, para a região do Oeste, para as restantes não. Porque para se fazer accionar o Fundo de Calamidade é preciso que esteja afectada mais de 50% de uma área significativa. Isso acontece em alguns explorações naquela região, mas, tanto quanto me é dado a saber pelos técnicos do Ministério da Agricultura, em outras não se verifica. Além disso, é preciso também que os agricultores tenham seguros de colheita. Ora, no caso da região oeste a maioria dos afectados por esta situação não tem esse seguro. Agora é preciso analisar caso a caso, um trabalho que será feito nas próximas semanas.

Qual a verba desse fundo neste momento?

Sete milhões de euros. Uma parte é financiada pelo Orçamento do Estado e outra parte pelos agricultores.

Acha que os danos agora provocados podem afectar significativamente a produção vitivinícola este ano?

Não, de todo. Portugal tem 200 mil hectares de vinha e só mil foram afectados. Além disso, nós estamos, desde o início, a distribuir produtos que ajudam à cicatrização das plantas, permitindo assim recuperar uma boa parte da produção deste ano e do próximo. Se agora vier o sol não haverá problemas, até porque o ano, em termos agrícolas, tem corrido bem.

O Estado pretende manter estes apoios aos agricultores?

Como se vai iniciar a reforma do sector do vinho na União Eruopeia, durante o período da presidência portuguesa, aproveitaremos para colocar na mesa a questão dos seguros agrícolas. É que há muitos agricultores em Portugal que não os têm, apesar de terem apoios públicos para os fazerem. O Estado dá entre 25 e 30 milhões de euros por ano para apoiar seguros, o que significa, em alguns casos, pagar até 75% dos mesmos. Se todos os agricultores tivessem seguradas as suas explorações, o fundo serviria apenas para dar apoio em situações de tragédia em que não há seguros que possam cobrir os danos. Portugal terá de rever os instrumentos de apoio em casos de calamidades.

ANA TOMÁS RIBEIRO

Fonte: DN
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